sábado, 19 de janeiro de 2008

"Capitulo 1 - A construção (Parte II)"

O encontro com os nativos de Visiliga mudaram o perfil de nossa viagem. Já não éramos mais meros exploradores em expedição de reconhecimento.
Os marinheiros, infinitamente mais experientes que eu - um homem de letras que a sorte e a inspiração resolveram abandonar a alguns anos - estes homens do mar, acostumados a beber e comer enquanto falam de monstros e acontecimentos sobrenaturais, que para muitos não passam de histórias bobas, estavam com medo por que havíamos visto aquilo que os visiliganos chamavam 'Beibarro'.
Eu sei, eu sei que a carta do John Cort, avó do nosso capitão, Henry Cort, deixava claro que não deveríamos aportar 'na terra onde os montes atacam', mas, como sempre, fomos convencidos pelo discurso encorajador do neto daquele que fora o primeiro europeu a chegar a Visiliga.
O desembarque aconteceu sem nenhum problema. Apesar da paisagem aterrorizante – aportáramos ao anoitecer – o local parecia desabitado, entretanto, havia tudo de que precisávamos: água, madeira e alguns frutos comestíveis. O capitão Cort estava à frente de quase tudo que fazíamos, desde as atividades mais simples, como coletar os alimentos, até as mais trabalhosas, como consertar o casco do navio.
À praia seguia-se uma floresta densa - ao amanhecer veríamos que logo atrás da floresta, uns cinco quilômetros mata adentro, havia um rio, e desse rio formava-se um vale imenso, verde, todo verde, dos mais variados tons. Também ao amanhecer a empolgação do nosso capitão não mudara; dava ordens como nunca, fazia tudo com um o ardor de uma criança prestes a abrir um presente. Vê-lo desse jeito era bom, animava os homens, mas contrastara muito com o capitão Henry Cort que nos selecionara no porto de Dubai: um homem sério, imponente, seco, austero, que primara pela hierarquia e pela ordem em seu navio.
Fora neste clima (estranho) de euforia que montamos nosso primeiro acampamento em Visiliga, uns dois quilômetros afastados da floresta, seguindo paralelo ao rio, no meio do vale.

Um comentário:

MMH disse...

nossa, parece q o Bruno se inspirou na Carta de Pero Vaz para descrever esse desembarque...rsrs... mas vamos ao q interessa... a empolgação do capitão foi vista com desconfiança pelos marinheiros q apesar de se deixarem contagiar não entenderam como um homem podia variar entre pólos de humor tão distintos....
E já na primeira noite no acampamento eles se sentiram vigiados, ouvindo ruídos discretos q vinham da mata... permaneceram de vigília a noite toda.... já pela manha quando saíram das suas barracas....