Acho que antes de escrever sobre o que eu realmente quero com esse blog, devo fazer uma breve introdução.
Para aqueles que me conhecem e não sabem o que eu pesquiso, e para aqueles que não me conhecem - Prazer, meu nome é Bruno, e você está no meu blog! - vou falar um pouco sobre minha pesquisa na área de História Antiga.
Eu pesquiso a chegada de Roma na Península Ibérica e o contato deste povo com os já lá existentes. Tudo isso segundo a visão de Estrabão, um geógrafo grego da passagem do século I a.C para o I d.C. Tudo isso para dizer que...
Estava eu a ler Estrabão dia desses quando me deparei com uma passagem que me chamou muito a atenção. Vou reproduzi-la aqui e depois comento. A tradução é minha, feita do inglês, que por sua vez foi feita do grego por Horace Jones.
Livro 3, capitulo 1, parte 5 (não, não é a Bíblia!)
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As afirmações de Artemidoros estão postas e nós podemos acreditar nelas. Mas as histórias que ele nos conta, que são baseadas nas tradições locais, não merecem crédito. Por exemplo, é comum a população dizer, segundo Poseidonius, que nas regiões ao longo da costa do oceano (Atlântico) o sol é maior quando se põe, e que se põe com um barulho quase como se o mar estivesse chiando ao extinguir-se no momento de sua queda às profundezas. Mas, afirma Poseidonius, isto é falso, assim como a afirmação de que a noite cai instantaneamente após o pôr-do-sol; senão que após um breve intervalo, assim como na costa dos grandes mares. Para as regiões onde o sol se põe atrás das montanhas, ele diz, a luz do dia perdura depois de oculto o sol, por conta da luz indireta deste; mas na costa não há intervalo considerável, se bem que a escuridão não ocorre no mesmo instante, não demora tanto quanto nas grandes planícies. E, ele acrescenta, a impressão visual do tamanho do sol que se tem no amanhecer e no crepúsculo ocorre porque da água se eleva nestas ocasiões uma grande quantidade de vapor; isto é, os raios visuais, passando por esses vapores como se passassem por lentes, se refratam, e por isso a imagem parece maior, como acontece quando o sol e a lua, ao nascer ou ao pôr-se, são vistos através de neblina seca e fina, nestes casos os astros aparecem algo rosados. Ele convenceu-se, conta-nos, da falsidade destas afirmações quando, durante sua estadia de trinta dias em Gades, pode observar os pores-do-sol. Entretanto, Artemidoros diz que o sol põe-se uma centena de vezes maior que o usual, e que a noite cai instantaneamente! Porém, se nos atentarmos somente às suas declarações, nós seremos obrigados a acreditar que ele mesmo não viu esses fenômenos no Cabo Sagrado, posto que ele mesmo afirma que ninguém pode ficar neste local à noite; e como a noite sucede o dia, não podia permanecer lá após o crepúsculo. Tão pouco pode vê-los em qualquer outro ponto do Oceano (Atlântico), pois Gades está na costa deste, e Poseidonius e muitos outros atestam o contrário.”Traduzi este texto, pois, deixando de lado quaisquer outras interpretações e questionamentos sobre este trecho, ele me pareceu muito singelo no que diz respeito às diferenças das noções de tempo de um homem contemporâneo (a nossa noção) – pós-revolução industrial, pós-internet, e pós sei lá mais o que – e de um homem do século II a.C. (Poseidonius)
Como é interessante a forma de ele refutar as afirmações do outro filósofo: ele passa trinta dias observando os crepúsculos!!!!!
Você se lembra da última vez que fez isso (observar UM pôr-do-sol)? Ou teve tempo de fazê-lo? Ou quis fazê-lo?
Você teria paciência para tal?
Assistir às marés para analisá-las melhor, observar as estrelas para orientar-se. Estes e outros gestos quase não se vêem mais.
Não estou sendo saudosista – e não poderia sê-lo, pois não vive nesta época (bom, pelo menos eu acho que não...) –, só estou tentando apresentar essas diferenças para que possamos pensar um pouco o nosso dia-a-dia.