Era uma vez, em um rio muito, muito distante, um Peixe.
-Um peixe? Não deveria ser uma princesa?
-Calma, essa história é sobre um peixe, mas também há um "que" de contos de fadas...
Este peixe era chamado de Peixe, pois um peixe ele era.
O peixe era um excelente contador de histórias: sua especialidade eram as histórias antigas, mas também conhecia muitas outras sobre monstros, fadas, duendes... Histórias tristes, histórias engraçadas, algumas assustadoras, outras apaixonadas...
Mas sobre essas últimas já não contava mais...
Não Sabia, ou melhor, não lembrava...
"Como eu posso contar histórias de amor", dizia ele, "se o meu já não tenho mais?"
Essa história, o peixe só contou uma vez, para um pássaro amigo seu.
Assim como nos contos de fadas, os animais conversam com as pessoas, e interagem com elas.
O peixe, que vivia em um lindo e isolado rio aos pés da montanha mais alta, onde ficava o mais belo castelo do norte do reino, apaixonou-se pela princesa deste castelo que ia todos os dias passear nas margens de sua "casa".
Novamente, como em todos os contos de fadas, a princesa apaixonou-se pelo peixe, que a conquistara com suas fantásticas histórias sobre tempos imemoráveis de terras mágicas e longínquas.
Entretanto, diferente de todos os contos de fadas, o peixe não se transformou em príncipe com o beijo da princesa.
Não!
O peixe sempre foi peixe e a princesa sempre princesa.
Um belo dia, agora sim, como nos contos de fadas, a princesa não dormiu como a Cinderela, nem comeu uma maça enfeitiçada como a Branca de Neve, ela simplesmente...
O peixe não se lembra!
Ele disse que não contava mais esse tipo de histórias, porque já não lembrava mais a sua.
A princesa, de uma hora para a outra, sumiu.
O peixe não sabe contar essa história...
A princesa pode ter virado peixe após comer uma maça, ou mesmo ferir o dedo em uma agulha.
"É bem provável", lamenta o peixe.
Dessa forma, ele não conseguiria reconhecer, ou sequer, encontrar sua princesa...
Porque já não é mais princesa. "Não é mais 'Primus inter pares' ", explicou o peixe.
"É só... 'pares' ".
Ou melhor, só peixe.
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