segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Velho Projeto.

Capitulo 1 - A construção
Sumiu!
Não consigo mais ver o peixe estranho - cumprido, coberto por escamas reluzentes de um verde escuro que pode-se confundir com o preto e duas "antenas" que parecem guiar seu caminho - que a horas acompanha nosso barco.Não consigo sequer saber que horas são, pois as nuvens cobrem o céu desde que acordei, mas suponho que seja entre nove e onze da manhã. A chuva que cai cobre o horizonte de todas as direções do barco. Não fosse a água batendo no casco do barco, deixando um rastro branco nas imediações, não saberia diferenciar se flutuávamos ou navegávamos.
Já faz sessenta e um dias que vimos terra pela última vez. Não havíamos ficado tanto tempo em mar aberto desde que partimos do nosso porto original. A tripulação não reclama, cada um realiza a tarefa para o qual foi designado, e ninguém nunca mais comentou o episódio de Visiliga. Eu sei o que cada um dos homens pensa, não preciso - e não quero - perguntar, basta observar expressão de medo nos rostos de cada um. Quanto a mim, o que sinto não me parece medo... Meus sentimentos se confundem, e assim como as imagens daquele dia, já não são mais tão nítidos. Entretanto, não sinto medo. Angustia! Angustia é o sentimento!
O encontro com os nativos de Visiliga mudaram o perfil de nossa viagem. Já não éramos mais meros exploradores em expedição de reconhecimento.
Os marinheiros, infinitamente mais experientes que eu - um homem de letras que a sorte e a inspiração resolveram abandonar a alguns anos - estes homens do mar, acostumados a beber e comer enquanto falam de monstros e acontecimentos sobrenaturais, que para muitos não passam de histórias bobas, estavam com medo por que havíamos visto aquilo que os visiliganos chamavam 'Beibarro'.
Eu sei, eu sei que a carta do John Cort, avó do nosso capitão, Henry Cort, deixava claro que não deveríamos aportar 'na terra onde os montes atacam', mas, como sempre, fomos convencidos pelo discurso encorajador do neto daquele que fora o primeiro europeu a chegar a Visiliga.
O desembarque aconteceu sem nenhum problema. Apesar da paisagem aterrorizante – aportáramos ao anoitecer – o local parecia desabitado, entretanto, havia tudo de que precisávamos: água, madeira e alguns frutos comestíveis. O capitão Cort estava à frente de quase tudo que fazíamos, desde as atividades mais simples, como coletar os alimentos, até as mais trabalhosas, como consertar o casco do navio. À praia seguia-se uma floresta densa - ao amanhecer veríamos que logo atrás da floresta, uns cinco quilômetros mata adentro, havia um rio, e desse rio formava-se um vale imenso, verde, todo verde, dos mais variados tons. Também ao amanhecer a empolgação do nosso capitão não mudara; dava ordens como nunca, fazia tudo com um o ardor de uma criança prestes a abrir um presente. Vê-lo desse jeito era bom, animava os homens, mas contrastara muito com o capitão Henry Cort que nos selecionara no porto de Dubai: um homem sério, imponente, seco, austero, que primara pela hierarquia e pela ordem em seu navio. Fora neste clima (estranho) de euforia que montamos nosso primeiro acampamento em Visiliga, uns dois quilômetros afastados da floresta, seguindo paralelo ao rio, no meio do vale.




Resolvi retomar um antigo post deste velho!Essa idéia que tive de construirmos uma história juntos foi uma das que mais me agradou, e eu realmente achei que daria certo. Entretanto, não vingou...
Inspirado pela retomada das postagens, resolvi tentar mais uma vez... a idéia é a mesma, está tudo ai de novo, não é necessário ir até o final deste blog para reler!! As "regras" estão aqui também.


Esse é o começo - 1ª parte do capitulo I de uma história que este blog ira desenvolver. Funcionará da seguinte forma: Eu começo o capítulo, assim como fiz com esse, deixando VÁRIAS perguntas a serem respondidas, vários elementos incompletos. A cada 3 comentários, cada um de uma pessoa diferente, eu termino o capítulo e começo um outro. Nesses comentários eu gostaria de respostas a algumas das questões em aberto, e sugestões para as lacunas deixadas. As seqüências serão feitas de acordo com os comentários. Essa não é uma história real. É uma construção coletiva. Não precisa ser do mundo dos homens. Não possui data definida. O personagem ainda não existe, deverá ser construído aos poucos. A história é uma narrativa em primeira pessoa, mas não há nada definido do que ira ser narrado. Tentarei escrever de um modo que a narrativa flua de forma agradável. Mas elementos que me agradem de acordo com meu estado de espírito serão largamente utilizados.
Espero muito que está idéia de certo!!